- Lokatell Imóveis

A pesquisa sobre como funciona o usucapião costuma entrar na sua lista quando você tem um imóvel ou terreno de forma irregular, mas acaba se vendo forçado a resolver isso de uma vez por todas.

Pode ser a casa que você comprou apenas com um recibo e deixou pra fazer a escritura depois. Ou aquele terreno que sua família já ocupa há décadas, com tudo em dia, mas com a regularização sempre adiada. Enquanto só usamos o imóvel, é normal ir deixando as pendências pra resolver depois… e depois… e depois… mas esse depois nunca chega. Mas então você se vê precisando regularizar quando surge algum plano que depende de ter esses documentos em dia, como vender ou financiar, por exemplo.

Também existe quem ache que basta morar em um lugar por muito tempo pra ficar com ele usando o usucapião – e tem quem aposte nisso de olho num imóvel que é de outra pessoa. Acontece que o processo não é simples assim, favorece muito mais quem é de fato proprietário, e é isso que vou te explicar nesse artigo.

Como funciona o usucapião na prática

O usucapião é a forma que a lei prevê para você se tornar dono do imóvel ou terreno onde você mora ou ocupa. Para isso, você precisa morar ou ocupar esse imóvel de forma contínua e sem oposição de ninguém, pelo período mínimo exigido em lei. Com a posse comprovada, o cartório ou a Justiça reconhece o seu direito, e o imóvel passa a constar em seu nome na matrícula.

O que chamamos de “posse” é o uso que você faz desse espaço no dia a dia: morar, cuidar dele, pagar as contas relacionadas, fazer reformas. Se você paga aluguel, você não entra nessa conta, pois há uma clara relação comercial que impede o usucapião por natureza. Para entender melhor como funciona o usucapião, pense em quem comprou um imóvel com recibo, mas nunca chegou a registrar a escritura, por exemplo. A pessoa ocupou esse imóvel e cuidou dele como se fosse seu e, por motivos óbvios, ninguém contestou isso. A lei, então, reconhece a posse oficialmente. Mas aqui vai um ponto de atenção: só o fato de morar muito tempo em um lugar e fazer reformas não bastam sozinhos pra comprovar que ele é seu por direito: o prazo, a prova e as demais condições precisam estar presentes, e é isso que vou detalhar a seguir.

Ah, um detalhe de linguagem: você vai ver por aí tanto “o usucapião” quanto “a usucapião”. Os dois usos são aceitos, e aqui eu uso o masculino, pois é o termo que as pessoas mais usam nas buscas.

Como funciona o usucapião: quais são os requisitos

Há mais de um tipo de usucapião, e cada um deles tem um prazo e um perfil de imóvel diferentes. No entanto, todos partem da mesma base legal. Em geral, a lei olha para cinco pontos específicos:

  • O ânimo de dono: é quando você age como proprietário, cuida, reforma e paga o IPTU, sem depender da autorização de ninguém.
  • A posse contínua: ocorre quando o uso do imóvel não foi interrompido pelo caminho.
  • A posse pacífica: chamamos assim quando ninguém tentou retomar esse imóvel nem contestou a sua ocupação.
  • O tempo mínimo: o prazo muda conforme o tipo, como mostro na próxima seção.
  • O imóvel certo: ele precisa ser um imóvel que a lei permita adquirir por usucapião, e os imóveis públicos, por exemplo, não entram aqui.

Tudo isso, claro, precisa ser provado, e é aí que muita gente percebe que comprovar é mais difícil do que pensava. Por isso, guarde tudo: IPTU pago, as contas de água e luz no seu nome, as notas de reformas e os vizinhos que possam testemunhar há quanto tempo você mora ali. Isso ajuda muito.

O que costuma barrar o usucapião

Saber como funciona o usucapião também é saber quando ele não funciona.

O caso mais comum é o da pessoa que mora de aluguel ou usa o imóvel com a permissão do dono, como um caseiro ou o parente a quem a casa foi emprestada. Nessas situações você ocupa o imóvel com autorização de alguém, sem agir como dono, então o usucapião não costuma ser possível. Se o seu caso fugir do comum, o ideal é procurar a consultoria de um advogado especializado.

Os imóveis públicos também não podem ser adquiridos por usucapião, conforme diz a Constituição.

Além disso, existem as situações mais delicadas, como o dono antigo que já tentou retomar o imóvel sem sucesso ou o caso de imóveis de herança com mais de um herdeiro. Nesses casos, sempre recomendo: procure um advogado antes de qualquer coisa.

Quantos anos de posse são necessários para o usucapião?

O prazo do usucapião vai de 5 a 15 anos, conforme o tipo. O que muda de um para o outro é o tipo da moradia, o documento de compra e o tamanho do imóvel. Para saber como funciona o usucapião quando o assunto é prazo, o Código Civil trata das principais modalidades, que resumi na tabela abaixo.

TipoPrazoO que a lei pede
Extraordinário (sem documento de compra)15 anos, ou 10 se você mora no imóvel ou fez nele obras ou serviços de caráter produtivo, como uma plantação.Posse e tempo, sem exigir boa-fé.
Ordinário (com documento de compra)10 anosBoa-fé e um documento que indique a compra, o chamado justo título.
Especial urbano (para moradia)5 anosImóvel urbano de até 250 m², usado como moradia sua ou da família, sem que você tenha outro imóvel.

Preciso explicar dois termos da tabela pra você entender melhor:

  •         O justo título é um documento que indica que você comprou o imóvel. Pode ser um contrato particular de compra e venda.
  •         A boa-fé é acreditar de verdade, na época, que o imóvel era seu.

Existem ainda modalidades mais específicas, como a do imóvel rural e uma variante mais curta do tipo ordinário, cada uma com prazo e regras próprios. Para esses casos, você precisa da análise de um advogado.

Como funciona o processo de usucapião

O pedido pode seguir por dois caminhos, o cartório ou a Justiça. Na prática, como funciona o usucapião muda bastante entre um e outro, e o cartório costuma ser o mais direto e rápido quando ninguém vai se opor ao processo.

Como funciona o usucapião extrajudicial

O usucapião extrajudicial é o pedido feito direto no cartório de registro de imóveis da comarca onde o imóvel está, sem necessariamente entrar com um processo na Justiça. Ele está previsto no artigo 216-A da Lei de Registros Públicos, e o pedido precisa ser feito por um advogado.

Na prática, o caminho desse tipo de processo é este:

  1. Contratar um advogado de confiança.
  2. Pedir a ata notarial, que é o documento em que o tabelião atesta por escrito há quanto tempo e de que forma você ocupa o imóvel.
  3. Providenciar, na maioria dos casos, a planta e o memorial descritivo, que é a descrição técnica do imóvel feita por um profissional habilitado, como engenheiro ou arquiteto.
  4. Reunir a certidão de matrícula atualizada, que mostra em nome de quem o imóvel está hoje, e os comprovantes da sua posse.
  5. Protocolar o pedido no cartório de registro de imóveis.
  6. Aguardar as notificações: os donos registrados e os vizinhos, chamados de confrontantes, que não assinaram a planta são avisados e podem concordar ou discordar.
  7. Receber o reconhecimento e o registro do imóvel em seu nome, se não houver discordância.

Quanto custa e quanto tempo leva variam de caso para caso: você precisa colocar na conta o advogado, a ata notarial, a planta e o memorial, as certidões e as taxas do registro. Não vou te passar um valor, porque qualquer número que eu der pode estar errado para a sua situação.

Importante: se o imóvel nunca teve matrícula, o cartório pode abri-la ao registrar o reconhecimento, se for o caso.

Como funciona o usucapião quando precisa ir para a Justiça

Quando alguém discorda do seu pedido de usucapião, faltam documentos ou existe qualquer outro impasse, o caminho costuma ser o processo judicial mesmo. Na via judicial, como funciona o usucapião muda um pouco nos trâmites: o pedido também é feito por advogado, mas aqui o juiz analisa o caso e, se decidir a seu favor, a decisão final é levada ao cartório para o registro. Esse trajeto é um pouco mais demorado, e o prazo varia bastante conforme o caso.

Como funciona o usucapião de uma casa e de um terreno

Para entender como funciona o usucapião de uma casa e de um terreno, partimos do que há de comum: a lógica é a mesma, mas a prova e o prazo mudam conforme exista ou não moradia no imóvel.

Numa casa ou num apartamento, por exemplo, morar no imóvel ajuda bastante: isso pode reduzir o prazo do tipo extraordinário e abre a porta para o especial urbano, o de 5 anos. As contas no seu nome e os comprovantes do dia a dia ajudam muito na hora de provar.

No terreno, a conversa é um pouco diferente. Sem uma casa nem realização de obras, o prazo em que você precisa estar usando ele costuma ser o mais longo, de 15 anos, ou 10 se você tiver algum documento de compra e agir de boa-fé. A prova definitiva vem dos cuidados: o IPTU precisa estar em dia, ter uma cerca, manter o terreno limpo e, claro, ter testemunhas.

Quando é possível regularizar um imóvel sem escritura

Numa compra normal, o que faz de você dono é a escritura e o registro do imóvel. Quando uma dessas etapas não acontece, o usucapião pode ser um caminho, dependendo do seu caso. Entender como funciona o usucapião ajuda você a ver em qual dessas situações está.

Comprei com recibo ou contrato particular

Se você comprou assim, então já tem a posse, e esse documento pode ajudar a provar que você ocupa o imóvel como dono. Em alguns casos, ele até funciona como o “justo título” que citei anteriormente, que o usucapião ordinário pede.

Se o acordo foi um contrato de gaveta, aquele feito direto entre comprador e vendedor, sem o banco e sem registro, e o imóvel ainda está financiado, a situação fica mais delicada. O banco entra nesse processo, e o que dá certo depende dos detalhes desse contrato. É mais um caso em que recomendo conversar com um advogado antes de qualquer passo.

Se você é o comprador e o vendedor fala em usucapião a caminho

Se você está do outro lado, comprando, e o vendedor diz que o usucapião está a caminho, saber como funciona o usucapião pode te ajudar a decidir se compra ou não. Eu, particularmente, esperaria o registro sair antes de fechar o negócio. Até lá, o vendedor ainda não é o dono perante a lei, e você estaria pagando por algo que pode não acontecer.

Depois do registro feito, a história muda: o imóvel pode ser vendido normalmente, financiado ou deixado em herança como qualquer outro.

Perguntas frequentes sobre como funciona o usucapião

Se alguma dúvida ficou no ar sobre como funciona o usucapião, é provável que ela esteja respondida abaixo. As respostas vão direto ao ponto, para você achar o que procura sem precisar reler o artigo.

Como funciona o usucapião?

O usucapião funciona assim: você comprova que ocupa o imóvel como dono, de forma contínua e sem ninguém contestar, pelo tempo que a lei exige para o seu caso. Com a prova em mãos, o pedido é feito no cartório de registro de imóveis ou na Justiça. Se for aceito, o imóvel é registrado em seu nome na matrícula.

Quantos anos são necessários para o usucapião?

Depende do tipo. O mais comum é o extraordinário: 15 anos, ou 10 se você mora no imóvel ou fez nele obras ou serviços de caráter produtivo. Para imóvel urbano de até 250 m² usado como moradia por quem não tem outro imóvel, o prazo é de 5 anos.

Quanto custa o usucapião?

Não existe um valor único. É preciso levar em conta os valores do advogado, a ata notarial, a planta e o memorial descritivo, as certidões e as taxas do registro, e cada item muda de caso para caso. Por isso, o caminho mais seguro é pedir o orçamento de cada profissional antes de começar.

Quanto tempo demora o usucapião?

Não existe um prazo fixo, porque o tempo depende do caminho e do caso. O pedido no cartório costuma ser mais rápido quando ninguém discorda, e o processo na Justiça costuma levar mais tempo.

Como funciona o usucapião extrajudicial?

É o pedido feito direto no cartório de registro de imóveis, sem processo na Justiça. Você precisa de advogado, de uma ata notarial (documento em que o tabelião atesta por escrito o tempo e a forma como você ocupa o imóvel) e, na maioria dos casos, de planta e memorial descritivo, entre outros papéis. Se ninguém discordar, o cartório reconhece e registra a propriedade em seu nome.

Preciso de advogado para pedir o usucapião?

Sim. Tanto no cartório quanto na Justiça, o pedido precisa ser feito por advogado. É esse profissional quem identifica o tipo de usucapião certo para o seu caso e monta a documentação.

Inquilino pode pedir usucapião?

Não. Quem mora de aluguel ocupa o imóvel com permissão do dono, e o usucapião exige que você aja como proprietário, sem depender de autorização. O mesmo vale para quem usa o imóvel por empréstimo, salvo situações muito específicas que só um advogado consegue analisar.

Posso pedir o usucapião de um terreno que ocupo há muitos anos?

Pode, desde que a posse seja sua, contínua e sem ninguém contestar, e que o terreno não seja público. Sem casa nem obras, o prazo costuma ser de 15 anos, ou 10 se você tiver documento de compra e agir de boa-fé. Guarde e registre tudo que prove que você cuida do terreno: IPTU, cerca, limpeza e testemunhas.

Depois do usucapião, posso vender o imóvel?

Pode. Com a propriedade registrada em seu nome na matrícula, o imóvel pode ser vendido, financiado e deixado em herança como qualquer outro. Antes do registro, você não consta como dono perante a lei, e isso trava a venda formal.

Comece pelos papéis que você já tem

Quem entende como funciona o usucapião sabe que ele é um caminho de paciência e que exige documentação. Quem guarda o IPTU, as contas e os comprovantes de reforma desde cedo consegue resolver isso com muito menos trabalho. Se o imóvel que você ocupa ainda não é seu no papel, recomendo iniciar o processo o quanto antes.

Se você está pensando em comprar, vender ou alugar um imóvel em Cascavel ou Toledo, fale com a minha equipe e conte o que você procura. Vamos te ajudar a encontrar o negócio ideal pra você.

× Converse agora mesmo com a nossa equipe!